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Project Owner

O cenário atual da adquirência no Brasil

David Kelleher,

O Brasil é o maior mercado de adquirência de cartões na América Latina, somando em 2012 R$690 bilhões em vendas com cartão. Considerando-se o preço padrão das adquirências, estima-se que o Brasil seja em receita o segundo maior mercado de aquirência do mundo [1]. Quase 80% de todas as compras online são feitas com cartões de crédito. Das duas maiores bandeiras de pagamento, a Visa soma 43% e a MasterCard 32% dos principais métodos de pagamentos hoje no Brasil.

Adquirência no Brasil

Até alguns anos atrás, o mercado brasileiro de adquirência possuía apenas dois players principais, Os Dois Grandes:

A Cielo (originalmente VisaNet), criada em 1995, foi uma joint venture entre a Visa International e os bancos Bradesco, Santander, Real (atualmente Banco Santander Brasil), Banco do Brasil e o agora extinto Banco Nacional. Seu objetivo era criar uma infraestrutura em comum para ser utilizada por todos os bancos afiliados à Visa, ao invés de cada banco possuir sua própria solução tecnológica para processar transações de cartão de crédito.

A Rede (anteriormente Redecard) foi estabelecida como Credicard em 1970 pelo Citibank em conjunto com o Banco Itaú e o Unibanco (atualmente Itaú Unibanco). Foi adquirida pelo Banco Itaú por R$10 bilhões em 2012.

Durante esse tempo, a Cielo podia processar transações apenas de cartões Visa, e a Rede transações apenas de cartões MasterCard. Essa exclusividade dificultou qualquer mudança na operação do mercado, isso é, até recentemente.

Hoje

Desde 2010, após recomendações do Banco Central do Brasil e regulações do Conselho Administrativo de Defesa Econômica, as portas foram abertas para uma mudança dramática no mercado de adquirência de cartões, possibilitando a entrada de novos adquirentes (inclusive internacionais) e dando aos Grandes Dois a oportunidade de começar a capturar bandeiras que antes eram exclusivas de cada um. A Rede poderia agora capturar transações Visa, e a Cielo transações MasterCard, Diners e de outras bandeiras antes monopolizadas pela Rede.

Em 2013, o governo brasileiro deu mais alguns passos para acabar com o sistema autorregulado que continuava a existir e nomeou o Banco Central do Brasil como órgão regulador. Um novo sistema regulatório para a indústria foi instaurado e norteou a visão do governo brasileiro para a interoperabilidade das redes de pagamento.

Mesmo com o suporte de iniciativas como esta, adquirentes internacionais ainda acham difícil trilhar um caminho no mercado brasileiro de adquirência. Um sistema bancário altamente concentrado, com a base do mercado ainda praticamente dominada pelos Dois Grandes e processos e requisitos significativamente burocráticos são apenas alguns dos obstáculos a serem vencidos. Não obstante, eles estão vindo e a competição continua a abrir-se gradualmente.

Os Dois Grandes continuam a dominar o mercado, capturando hoje, em conjunto, cerca de 90% de todas as transações com cartões no Brasil.

Elo, a bandeira própria da Cielo, propriedade coletiva dos bancos públicos Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, bem como do privado Banco Bradesco, atualmente possui 7% do mercado brasileiro de cartões, com mais de 50 milhões de cartões emitidos. No final de 2015 a Elo assinou um acordo com a Discover Financial Services, habilitando seus cartões a serem aceitos em mais de 185 países através da rede da Discover, a terceira maior do mundo.

Esse cenário está mudando, no entanto, com novas empresas de adquirência começando a ganhar tração e uma fatia do mercado.

Atualmente, um dos maiores players, ignorando-se os Dois Grandes, é a GetNet, que está provendo soluções inovadoras para a indústria de pagamentos, tal como a recarga de telefones pré-pagos. Desde 2009 sua rede captura pagamentos das maiores redes de cartões, tais como Visa e MasterCard. A GetNet foi comprada pelo Banco Santander em 2014 por R$1,1 bilhão e atualmente detém cerca de 7,5% do mercado de adquirência de cartões, estando presente em mais de 100.000 estabelecimentos.

Os 2,5% restantes do mercado é composto principalmente pelos seguintes adquirentes, e diversos outros sub-adquirentes:

  • O banco brasileiro Banrisul iniciou a adquirência de cartões em 2009 com a bandeira Vero e é agora um adquirente de múltiplas redes.
  • A adquirente Elavon, dos Estados Unidos, começou suas operações no Brasil em 2012 como uma joint venture com o Citibank.
  • A Global Payments Brasil começou em 2013 com uma parceria com o Banco de Brasília.
  • A Stone foi criada em 2014 pelos bancos BTG Pactual e Panamericano em conjunto com o grupo de investimento Arpex Capital.
  • A First Data, dos Estados Unidos, começou suas atividades no Brasil com a marca Bin, seguindo uma parceria com o Banco Cooperativo do Brasil.

CloudWalk

A CloudWalk está tornando-se a maior influência nessa tendência disruptiva, provendo soluções inovadoras e transparentes para ambos adquirentes na linha de frente e sub-adquirentes. Hoje trabalhamos e oferecemos suporte a novos players, tanto adquirentes nacionais quanto internacionais, entregando soluções para POS que são hardware-agnósticas e multi-aplicações (inclusive EMV) rodando em nossa inovadora plataforma de pagamentos plug and play.

Processando milhões de transações por mês, a CloudWalk está rapidamente se tornando a arquitetura padrão, viabilizando a transformação do mercado tradicional de adquirência no Brasil e além, com operações nos Estados Unidos, Canadá e em breve na Europa.

Futuro

Para o futuro da adquirência todos os caminhos apontam para pagamentos mobile, ou m-commerce. Com uma população de aproximadamente 200 milhões habitantes, o Brasil têm 120 milhões de usuários de internet. Destes, estimou-se na última metade de 2014 que 51,5 milhões eram compradores online.

Estima-se que no final de 2017 mais da metade dos 200 milhões de brasileiros terão acesso à internet utilizando um dispositivo móvel. Baseados apenas nesses fatos, é importante que os comerciantes mantenham-se atentos ao potencial crescente dos pagamentos móveis no futuro próximo.

Referências

[1] Janinne Dall’Orto, First Annapolis

Sobre o autor

David Kelleher é originalmente da Irlanda, mas desde o início de 2014, ele vive e trabalha em São Paulo. Com vasta experiência em gestão de empresas de serviços de TI, ele é Project Owner na CloudWalk.